Exposição fotográfica busca mostrar que 

é possível ter uma vida normal com a bolsa de ostomia

 

A partir desta quinta-feira (24), a exposição “Sobre Viver”, produzida pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), unidade ligada ao Complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, entrará em cartaz na estação Luz do Metrô, na linha 1-Azul. 

A exposição faz parte da campanha Março Azul Marinho, mês de conscientização sobre o câncer colorretal, e tem o intuito de mostrar que com algumas adaptações no dia a dia é possível viver com a bolsa de ostomia. Sete pacientes do Instituto, com diferentes estilos de vida, mostram através das fotos suas personalidades e gostos.

“A exposição é importante para desmistificar o tratamento dos pacientes com câncer colorretal. Precisamos falar que mesmo que haja necessidade de uma bolsa de ostomia, o indivíduo pode ter uma qualidade de vida muito boa e ninguém precisa ter medo de procurar atendimento por conta disso”. Explica o Coordenador Médico Cirúrgico do Instituto, Prof. Dr. Ulysses Ribeiro.

Welson Cândido Damas é um dos pacientes fotografados e esteve no Icesp no ano de 2012 e 2021, sendo acompanhado até hoje. Ele conta como a exposição é importante perante a sociedade. “Eu era uma pessoa que nunca tinha entrado em contato com alguém com colostomia e sempre tive uma má impressão sobre isso. Quando me tornei ostomizado, vi que não é um bicho de sete cabeças. É um desafio se expor, mas achei a ideia muito bacana. Espero que a exposição consiga mostrar para a sociedade que não há idade para ser uma pessoa ostomizada e que não é uma situação tão complicada como pensam. Quanto mais campanhas assim tiverem, menos tabus e preconceito as pessoas vão ter”, conta.

Outro paciente que participou da exposição foi a Advalda Silva Santos, que esteve no Icesp para tratamento em 2019 e hoje faz o acompanhamento. Praticante da atividade de pole dance, Wal, como é chamada, também comenta sobre a exposição. “Sinto que tem muita gente que não tem o conhecimento do que é a colostomia, quando você fala, ainda vê cara de nojo, então temos que levar isso adiante. A sociedade precisa saber viver e lidar com pessoas ostomizadas”, diz. 

A Coordenadora do Centro de Humanização do Instituto, Maria Helena Sponton, foi uma das idealizadoras da mostra e conta que foi maravilhoso participar da ação. “Essa exposição é um marco na vida dos nossos pacientes. Por meio de uma lente fotográfica, mostraram sua força, alegria e vontade de viver. Participar de uma ação como essa é algo emocionante e que me faz cada dia mais perceber a importância do nosso trabalho empático e acolhedor junto aos nossos pacientes”, finaliza.

Câncer colorretal

O câncer colorretal são tumores que atingem o intestino grosso e/ou reto. O Instituto do Câncer atende por ano, em média, 800 pacientes com este tumor, que é o segundo mais frequente em homens e mulheres no Brasil e costuma ser mais comum em pessoas acima de 50 anos. Seus sintomas incluem sangue nas fezes, dor ou desconforto abdominal, fraqueza, anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração do hábito intestinal e no formato das fezes. 

Alguns fatores aumentam o risco para o desenvolvimento deste tipo de tumor, como obesidade, sedentarismo, álcool e tabagismo. Para a prevenção, é importante evitar estas condições e possuir uma alimentação rica em fibras, principalmente as que estão presentes em cereais, frutas e verduras, além de evitar a ingestão em demasia de gordura e carne vermelha. É importante também incluir a prática regular de atividades físicas na rotina. 

Existe também a prevenção secundária, que é o rastreamento do câncer. A maioria dos tumores surgem a partir de pólipos ou verrugas que crescem na parede do intestino. O teste de sangue oculto nas fezes consegue rastrear quando o indivíduo tem maior chance de ter um pólipo grande ou um tumor nesta região do corpo. Quando o resultado do teste é positivo, é recomendada a realização do exame de colonoscopia, que detecta os pólipos, garantindo a retirada das lesões. 

Estes exames devem ser realizados a partir dos 50 anos caso não haja histórico familiar, e acima de 40 anos se existe este histórico ou se indivíduo já tenha tido diagnóstico de câncer anteriormente.  

 

SERVIÇO:

Exposição "Sobre Viver"

Data: 24 de março a 29 de abril

Local: Estação Luz – Linha 1 Azul do Metrô

INSTITUTO DO CÂNCER DO ESTADO DE SÃO PAULO

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CEP: 01246-000 | Tel.11 3893-2000